segunda-feira, 31 de maio de 2010

Nou Skrinketh Rose Ant Lylie-Flour

Nou Skrinketh Rose Ant Lylie-Flour é um poema lírico a Virgem Maria que faz ambos uso e questiona os padrões das canções seculares de amor. A típica abertura com a descrição da estação é desta vez posta no outono ao invés da primavera, enfatizando a temporária beleza terrena e os temporários prazeres terrenos. A Virgem é descrita em termos normalmente atribuídos para mulheres seculares, porem oferece uma cura mais permanente e uma misericordia mais acessível. O narrador durante o poema muda de um estado de comtenplação de seus próprios problemas para a exortação de uma audiência maior.
O fato do autor mencionar Peterborough (linha 11) sugere que este poema tenha origem Anglicana do Leste, e pelas frase "de Caithness à Dublin" alguma influencia Escandinava.
O poema segue um esquema de rima exigente (aabaabcbc), do qual foi levemente debilitado durante o seu percurso de transmissão. Há uma rima faltando na linha 58 (apesar de ser facilmente concertada), e provavelmente há também uma linha faltando na ultima estrofe, que segue o padrão de rima aababab[a]b.

Texto:

Nou skrinketh rose ant lylie-flour,
That whilen ber that suete sauour

In somer, that suete tyde;
ne is no quene so stark ne stour,
Ne no leuedy so bryht in bour
That ded ne shal by glyde.
Who-se wol fleysch lust forgon
Ant heuene blis abyde,
On Iesu be is thoht anon,
That therled was ys side.

From Petresbourh in o morewenyng,
As y me wende o my pleyghyng,

On mi folie y thohte;
Menen y gon my mournyng
To hire that ber the heuene kyng,
Of merci hire bysohte:
'Ledy, preye thi sone for ous
That ous duere bohte,
Ant shild vs from the lothe hous
That to the fend is wrohte.'

My herte of dedes wes fordred,
Of synne that y haue my fleish fed
Ant folwed al my tyme,
That y not whider I shal be led
When Y lygge on dethes bed,
In ioie ore into pyne.
On o ledy myn hope is,
Moder ant virgyne;
[We] shulen into heuene blis
Thurh hire medicine.

Betere is hire medycyn

Then eny mede or eny wyn.
Hire erbes smulleth suete;
From Catenas into Dyuelyn
Nis ther non leche so fyn
Oure serewes to bete.
Mon that feleth eni sor,
Ant his folie wol lete,

Withoute gold other eny tresor
He may be sound and sete.

Of penaunce is his plastre al,
Ant euer seruen hire y shal,
Nou ant al my lyue;
Nou is fre that er wes thral
Al thourh that leuedy gent ant small
Heried be hyr ioies fiue!
Wher-so eny sek is,

Thider hye blyue;
Thurh hire beoth ybroht to blis
Bo mayden ant wyue.

For he that dude is body on tre,
Of oure sunnes haue piete
That weldes heouene boures!
Wymmon, with thi iolyfte,
Thou thench on Godes shoures!

Thah thou ne whyt ant bryth on ble,
Falewen shule thy floures.
Iesu, haue merci of vs,
That al this world honoures.

Amen.

Tradução:


Agora a rosa e o lirio estão desaparecendo,
Aqueles que antes docemente cheiravam

Durante o verão, tal prazerosa estação;
Não há nenhuma rainha tão poderosa ou forte,
Ou qualquer dama tão radiante em seu quarto,
A qual morte não irá toma conta.
Se alguem quiser desistir de prazers carnais
E experimentar a benção dos céus,

Tal pessoa deve imediatamente direcionar seus pensamentos à Jesus,
Tal corpo que foi perfurado.

Conforme eu fui de Peterborough certa manhã
Em busca de prazer
Eu pensei sobre meu erro;

E começei a lamentar
Para aquela que deu luz ao Rei do Céu,
E implorei por sua misericordia:
'Dama, ore por nos para seu filho
Que nos comprou tão ternamente
E proteja-nos do palacio amaldiçoado
Que foi feito para o Diabo.'


Meu coração estava cheio de medo pelo que tinha feito,
Pelo pecado pelo qual eu alimentei minha carne,
E o segui toda minha vida,
A tal ponto em que eu ja não mas sei a onde serei levado
Quando eu repousar em meu leito de morte,

Se será para a alegria ou tormento.
Minhas esperanças estão com esta dama,
Mãe e virgem;
Devemos entrar na benção dos céus
Através de sua cura.

O seu remédio é melhor
Do que qualquer hidromel ou vinho.

Suas ervas cheiram docemente;
De Caithness até Dublin
Não há medico tão bom
Em curar nossos problemas.
Qualquer um que sinta qualquer dor
E esta pronto para abandonar seus erros,
Sem ouro ou nenhum tesouro
Ele poderá ser saudavel e estar em paz.


Seu remédio é constituido de toda penitência,
E eu para sempre irei servi-la,
Agora e por toda minha vida,
Agora este esta livre que antes era um escravo,
Tudo por causa daquela dama bela e graciosa --
Que suas cinco alegrias sejam louvadas!

Sempre que alguem estiver doente
Este deve ir lá imediatamente;
Através dela são trazidos à felicidade
Ambas virgens e mulheres casadas.


Pelo amor daquele que foi crucificado,
Tenha piedade de nossos pecados,
Você que reina sobre as câmaras do Céu!
Mulher, com a sua frivolidade,
Pense nos sofrimentos enviados por Deus!
Mesmo que você for de pele clara e radiante,
Suas flores murcharão.

Tende piedade de nós Jesus,
Glorificado por todo o mundo.

Amem.


Página do manuscrito MS Harley 2253, f. 80rb






sexta-feira, 21 de maio de 2010

Vídeo - Quant La Doulce Jouvancelle

Já que faz algun tempo que não posto nada novo aqui, decidi fazer algo diferente para comemorar a minha própria volta a este blog. Aqui esta um vídeo com a minha música preferida da dupla de música medieval francesa: Asteria - Quant La Doulce Jouvancelle. Espero que você aprecie a encantadora melodia desta canção tanto quanto eu.


video


Gostou do que ouviu? Quer conhecer mais o trabalho desses dois artistas incrivelmente talentosos? De uma olhada na página deles no website http://magnatune.com/artists/asteria. Este mesmo endereço esta posto na coluna de links na sessão de paginas em Inglês. Quando você acessar a página, você verá que há três opções de albuns para você ouvir - Le Souvenir de Vous Me Tue, Soyes Loyal, e Un Tres Doulx Regard. Simplesmente clique na foto de um dos albuns para ser direcionado à página do albun. Chegando lá, você poderá ouvir as músicas que estão no CD por completo, se quiser salvar alguma delas em seu computador, clique em hifi ou lofi para fazer o download. E pronto!

sábado, 11 de julho de 2009

Mayden Moder Milde

Mayden Moder Milde é um poema macarroníco a Virgem Maria encontrado no manuscrito MS Harley 2253, com suas linhas alterando entre o inglês medio e o francês antigo. O poema é do começo do século 14, e o autor é desconhecido.


Texto:

Mayden moder milde,
Oiez cel oreysoun;
From shome thou me shilde,
E de ly mal feloun;
For loue of thine childe
Me menez de tresoun;
Ich wes wod ant wilde;

Ore su en prisoun.

Thou art feyr ant fre
E plein de doucour;
Of the sprong the ble,
Ly souerein creatour.
Mayde, byseche Y the
Vostre seint socour;
Meoke ant mylde be with me
Par la sue amour.

Tho Iudas Iesum founde,
Donque ly beysa;

He wes bete ant bounde
Que nus tous fourma.
Wyde were is wounde
Qe le Gywz ly dona;
He tholede harde stounde
Me poi la greua.

On stou ase thou stode,
Pucele tot pensaunt,
Thou restest the vnder rode,
Ton fitz veites pendant.
Thou seye is sides of blode,
Lalme de ly partaunt;

He ferede vch an fode
En mound que fust viuaunt.

Ys siden were sore,
Le sang de ly cora;
That lond wes forlore,
Mes il le rechata.
Vch bern that wes ybore
En enfern descenda;
He tholede deth ther-fore,
En ciel puis mounta.

Tho Pilat herde the tydynge
Molt fu ioyous baroun;
He lette byfore him brynge
Iesu Nazaroun.
He wes ycrouned kynge
Pur nostre redempcioun.
Who-se wol me synge
Auera grant pardoun.

Tradução:

Serena mãe virgem,
Escute esta oração;

Proteja-me da vergonha
E de Satanás;
Pelo amor de sua criança
Salve-me da traição;
Eu estava louco e selvagem;
E agora estou em cativeiro.

Você é bela e nobre

E cheia de doçura;
De você veio o belo,
O soberano criador.
Virgem, eu te súplico

Por sua santa ajuda;
Seja gentil e calma comigo
Pelo seu amor.

Quando Judas achou Jesus,
E beijou-lo;

Ele foi espancado e preso,
Aquele que criou nos todos.
Seus ferimentos eram grandes,
Que os Judeus lhe deram;
Ele sofreu provações brutas

Mas pouco isso lhe incomodou.

Enquanto você ficava de naquele lugar,
Virgem, em profunda dor,

Você descansava debiaxo da cruz,
E viu o seu filho ser pendurado.
Você viu os seus lados sangrando,
A sua alma indo embora;

Ele causou medo a todas as criaturas
Que viviam neste mundo.

Seus lados estavam com dor,
Seu sangue fluia;
Aquela terra estava perdida,

Mas ele a resgatou.
Todo homem que nasceu
Desceu ao inferno;
Ele sofreu sua morte por isto,
E então subiu aos céus.

Quando Pilatus ouviu a noticía;
O senhor estava cheio de alegria;
Ele fez com que Jesus de Nazaré
Fosse posto deante dele.
Ele foi coroado rei

Para nossa redenção.
Quem estiver disposto a cantar sobre mim [Jesus]
Receberá um grande perdão.

Página do manuscrito MS Har
ley 2253, f. 83r:



Detalhe do poema:


domingo, 5 de julho de 2009

Ase Y Me Rod This Ender Day

Ase Y Rod This Ender Day é um poema de conteúdo religioso encontrado no manuscrito MS Harley 2253. O poema começa com uma pequena introdução feita no estilo amor-cortês, o que faz o poema aparecer ser de amor. Porem, depois de algumas linhas vemos que o poeta começa a se referir sobre a Virgem Maria. Subsequentemente o poema se torna um hino celebrando as Cinco Alegrias de Maria.
As Cinco Alegrias de Nossa Senhora são a Anunciação, o Nascimento, a Ressurreição, a Ascensão, e a Assunção (quando ela é levada aos céus). Serviços de devoção baseados nesses cinco eventos foram muito populares na Inglaterra desde o século treze até o final da era Medieval. Algumas vezes chegava-se a ser quinze Alegrias, assim como pode ser visto no Livro de Horas (do qual também irei falar mais depois). O poema é do século quatorze e o autor do poema é desconhecido.

Texto:

Ase Y me rod this ender day
By grene wod to seche play,
Mid herte Y thohte al on a may,
Swetest of alle thinge;
Lyhte, ant Ich ou telle may
Al of that suete thinge.

This maiden is suete ant fre of blod,
Briht and feyr, of milde mod;
Alle heo mai don vs god
Thurh hire bysechynge.
Of hire he tok fleysh ant blod,
Iesus, heuene kynge.

With al mi lif Y loue that may;
He is mi solas nyht ant day,
Mi ioie ant eke my beste play,
Ant eke mi loue-longynge;
Al the betere me is that day
That Ich of hire synge.

Of alle thinge Y loue hire mest,
My dayes blis, my nyhtes rest;
Heo counseileth ant helpeth best
Bothe elde ant yynge.
Nou Y may, yef Y wole,
The fif ioyes mynge.

The furst ioie of that wymman
When Gabriel from heuene cam
Ant seide God shulde bicome man,
Ant of hire be bore,
Ant bringe vp of helle pyn
Monkyn that wes forlore.

That other ioie of that may
Wes o Cristesmasse day,
When God wes bore on thoro lay
Ant brohte vs lyhtnesse;
The st[er] wes seie byfore day,
This hirdes bereth wytnesse.

The thirdde ioie of that leuedy
That men clepeth the Epyphany,
When the kynges come wery
To presente hyre sone
With myre, gold, ant encenz,
That wes mon bicome.

The furthe ioie we telle mawen,
On Estermorewe w[h]en hit gon dawen,
Hire sone, that wes slawen,
Aros in fleysh ant bon ---
More ioie ne mai me hauen,
Wyf ne mayden non.

The fifte ioie of that wymman,
When hire body to heuene cam,
The soule to the body nam
Ase hit wes woned to bene.
Crist leue vs alle with that wymman
That ioie al forte sene!

Preye we alle to oure leuedy,
Ant to the sontes that woneth hire by,
That heo of vs hauen merci,
Ant that we ne misse
In this world to ben holy,
Ant wynne heuene blysse.

Amen.

Tradução:

Enquanto eu cavalgava recentemente
Perto de floresta verde procurando prazer,
Meu coração estava preocupado com uma mulher,
Doçura de todas as coisas;
Ouça, e eu posso lhe dizer
Tudo sobre esta doce criatura.

Esta mulher é doce e de sangue nobre,
Brilhante e bela e gentil;
Ela pode fazer bem a nos todos
Por sua intercessão.
Dela Jesus, Rei dos Céus,
Tomou carne e sangue.

Com toda minha vida eu amo aquela mulher;
Ela é meu conforto noite e dia,
Minha alegria e meu maior prazer,
E também meu desejo;
Eu me sinto melhor no dia
Quando eu canto sobre ela.

Eu amo ela acima de todas as coisas,
Minha alegria durante o dia, meu descanso a noite;
Ela é boa em ajudar e aconselhar
Ambos jovens e idosos.
Agora posso, se desejar,
Me lembrar de suas cinco alegrias.

A primeira alegria daquela mulher
Foi quando Gabriel veio dos céus
E disse que Deus iria se tornar homem
E ela iria gerar-lo,
E ele iria levar para fora dos tormentos do inferno
A humanidade, o qual estava arruinada.

A segunda alegria daquela moça
Foi no Natal
Quando Deus nasceu em luz radiante
E trouxe para nos luz;
A estrela foi vista antes do amanhecer,
Os pastores prestaram testemunho.

A terceira alegria daquela mulher,
Do qual é chamado de Epifania,
Foi quando os reis vieram cansados,
Presentear o seu filho,
Que havia tornado-se homem,
Com mirra, ouro e incenso.

A quarta alegria do qual podemos relatar
Foi na manhã de Páscoa ao amanhecer,
Quando seu filho, que tinha sido morto,
Levantou-se em carne e sangue ---
Ninguém pode sentir mais alegria,
Nenhuma mulher nem garota.

A quinta alegria daquela mulher
Foi quando seu corpo foi levado aos céus,
Sua alma ajuntou-se com seu corpo
Assim como já estava acostumado a estar.
Que Cristo conceda a nos todos
Poder ver todas estas alegrias com esta mulher!

Vamos todos orar a Nossa Senhora,
E para os santos que com ela moram,
Que eles possam ter piedade de nos,
E nos ajudar a não falhar
Ser santo neste mundo,
E atingir a benção dos céus.

Amen.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

I Syke When Y Singe

I Syke When Y Singe é um poema meditativo sobre a Crucificação de Cristo encontrado no manuscrito MS Harley 2253. O poema começa com a imagem de Cristo pregado na cruz, e com Maria de um lado e São João do outro, uma imagem típica achada em esculturas, paredes, altares de igrejas e em manuscritos em toda a Idade Média. O poema é escrito no inglês médio, pertence ao começo do século 14 e o autor é desconhecido.
Este mesmo poema também é encontrado no manuscrito MS Digby 2, f. 6r. A única diferencia entre os dois é que no neste manuscrito e quinta e sexta estofes são trocadas de lugar com a deste poema.

Texto:

I syke when Y singe
For sorewe that Y se,
When Y with wypinge
Biholde vpon the tre
Ant se Iesu the suete
Is herte blod forlete

For the loue of me.
Ys woundes waxen weete,
Thei wepen stille and mete;
Marie, reweth the.


Heghe vpon a doune
Ther al folk hit se may,
A mile from vch toune,
Aboute the midday,
The rode is vp arered;

His frendes aren afered
Ant clyngeth so the clay.
The rode stond in stone;
Marie stont hire one
Ant seith 'Weilawei!'

When Y the biholde

With eyghen bryhte bo,
Ant thi bodi colde,
Thi ble waxeth blo;
Thou hengest al of blode
So heghe vpon the rode

Bituene theues two.
Who may syketh sore
Ant siht al this wo.

The naylles beth to stronge,
The smythes are to sleye,
Thou bledest al to longe,

The tre is al to heyghe,
The stones beoth al wete;
Alas! Iesu the suete,
For non frend hast thou non
Bote Seint Iohan mournynde,
Ant Marie wepynde

For pyne that the ys on.

Ofte when Y syke
Ant makie my mon,
Wel ille thah me like
Wonder is hit non
When Y se honge heghe

Ant bittre pynes dreghe
Iesu my lemmon;
His wondes sore smerte,
The spere al to is herte
Ant thourh is sydes gon.

Ofte when Y syke
With care Y am thourhsoht;
When Y wake, Y wyke;

Of serewe is al mi thoht.
Alas, men beth wode
That suereth by the Rode
Ant selleth him for noht
That bohte vs out of synne.
He brings vs to wynne
That hath vs duere boht.


Tradução:


Eu suspiro quando canto
Pela dor que eu vejo,
Quando eu, derramando lágrimas,
Olho para a Cruz,
E vejo o belo Jesus
Derramar o sangue de seu coração

Pelo meu amor.
Suas feridas ficam mais molhadas,
Eles choram quietamente e gentilmente;
Maria, chora por você.


Alto em um morro
Onde todos possam ver,
Uma milha de qualquer cidade,
Ao meio-dia,
A cruz é levantada;
Seus amigos estão assustados
E frios com medo.
A cruz esta de pé em uma rocha;

Maria esta sozinha
E ela lamenta "Ai de mim!"


Quando eu olho para você,
Com dois olhos brilhantes,
E seu corpo frio,
Sua face fica mais pálida;
Você esta pendurado coberto de sangue
Tão alto na cruz,
Entre dois bandidos.
Quem pode suspirar mais?
Maria suspira profundamente

E vê todo este sofrimento.

Os pregos são muito fortes,
Os ferreiros são muito competentes,
Você sangra por muito tempo,
A cruz esta muito alta,
As pedras todas molhadas;
Que dor! Belo Jesus!
Pois você não tem amigo algum

Exceto São João chorando,
E Maria pranteando
Pelo tormento que você sofre.


Muitas vezes eu suspiro
E lamento
Se me traz dor
Não é nada de se espantar
Quando eu vejo pendurado no alto
E sofrendo grandes dores

Jesus, o meu amado;
Suas feridas o machucam cruelmente,
A lança perfurando o seu coração
E os seus lados.

Muitas vezes eu suspiro
E sou perfurado por dor;
Quando estou acordado, eu perco as forças;
Todos meus pensamentos são de dor.
Ai, estes homens são loucos
Que profanam enfrente de Cruz
E o traem por nada

Aquele que nos livrou do pecado.
Que ele nos traga ao estado benção
Aquele que amorosamente nos comprou.

A pagina do manuscrito MS Harley 2253, f.80ra:



Detalhe do p
oema:



sábado, 27 de junho de 2009

Dum Ludis Floribus

Dum Ludis Floribus é o único poema de amor que faz uso de todas as três línguas contidas no manuscrito MS Harley 2253: francês, inglês e latim. O poema é do começo do século 14 e o poeta é desconhecido. É provável que este poema originou-se com a intenção de estudo (como a referência a Paris na última estrofe indica), porém seu contexto mostra grande influencia da tradição de amor cortês.
As primeiras quatros estrofes são escritas em latim e francês, mas as duas últimas estrofes são escritas no inglês médio. Não se sabe por certeza se a última estrofe faz realmente parte do poema ou se é um pós-escrito por um possível segundo escrivão.

Texto:

Dum ludis floribus velud lacinia
Le dieu d'amour moi tient en tiel angustia,
Merour me tient de duel e de miseria
Si ie ne la ay quam amo super omnia.

Eius amor tantum me facit feruere
Que ie ne soi quid possum inde facere;

Pur ly couent hoc seculum relinquere
Si ie ne pus l'amour de lie perquirere.

Ele est si bele e gente dame egregia
Cum ele fust imperatoris filia;
De beal semblant e pulcra continencia,
Ele est la flur in omni regis curia.

Quant ie la vey ie su in tali gloria
Come est la lune celi inter sidera;
Dieu la moi doint sua misericordia,
Beyser e fere que secuntur alia.


[Scripsi] hec carmina in tabulis;
Mon ostel est enmi la vile de Paris.
May Y sugge namore, so wel me is;
Yef Hi deghe for loue hire, duel hit ys.

Tradução:

Enquanto você brinca com coroas de flores
O Deus do Amor me prende em tanta agonia,

A dor de tristeza e miséria me prende,
Se eu não tiver aquela a quem amo acima de tudo.


Seu amor me faz queimar tanto
Que eu não sei mais o que fazer;
Eu serei forçado a deixar este mundo para atrás
Se eu não tiver o amor dela.

Ela é uma mulher tão bela, refinada e excelente,

Que é como se ela fosse a filha de um imperador,
Com um jeito charmoso e pureza admirável,
Ela é a flor na corte de todo o rei.


Quando eu a vejo fico em tanta gloria
Assim como a lua entre as estralas dos céus;
Que Deus em sua misericórdia conceda ela a mim,
Para beija-la e fazer tudo o que depois segue.

Eu escrevi estes versos em meu caderno;
Meu dormitório encontra-se no meio da cidade de Paris.
Eu não posso dizer mais nada, eu sinto tanta alegria;

Se eu morrer por ama-la tanto, será uma pena.

A pagina do manuscrito MS Harley 2253, f.76r:




O detalhe do poema: